Algum dia eu vou entender o Rio?
Espero que não.
Viajar sozinho, sem dúvida, nos faz passar um bom tempo sozinhos.

Seja na estrada, em um hostel, ou andando pelas ruas de uma cidade estrangeira ou comendo em um restaurante, em sua própria companhia; viajar muitas vezes pode ser uma experiência singular.

Na maioria das vezes, quando me encontro sozinho em um país estrangeiro, coloco meus fones de ouvido e começo a escrever.

Eu considero a combinação de música com a manifestação escrita dos meus pensamentos o remédio mais potente para a ansiedade que vem com o sentimento de solidão. Eu recomendo isso para todos os viajantes.

Há mais ou menos dois anos, quando me vi sozinho na praia de Ipanema, com meus fones de ouvido e um diário nas mãos, observando as ondas se quebrarem em uma das mais lindas paisagens urbanas do mundo, com um mar de brasileiros passando por mim, estes foram os meus pensamentos:

"Algum dia eu vou entender o Rio? Espero que não."
Voltei ao rio depois de algumas semanas em casa, visitando a família e os amigos. Frequentemente, eu acho difícil refletir sobre um lugar até que você esteja longe dele. Um tempo em casa me proporcionou o ritmo e o repouso para meditar sobre minhas experiências no Rio e para ver a cidade maravilhosa com novos olhos.

Ao retornar para os Estados Unidos, a primeira coisa de que me dei conta foi que não apreciei completamente a enorme diversidade que existe no Rio. O Rio é um lugar que irradia diversidade em todos os conceitos. Eu ainda não descobri nenhum outro lugar que ofereça um maior panorama do mundo e da humanidade do que a praia de Ipanema.
Geograficamente, você está sentado em uma das praias mais deslumbrantes do mundo, escondida entre as montanhas e a exuberante floresta tropical do Atlântico. Ao andar pelas ruas, você pode encontrar macacos, saguis, capivaras e tucanos. Mas muito mais impressionante do que a variedade geográfica e biológica é a extraordinária variedade de pessoas e o modo como elas vivem.

À sua esquerda, você verá um grupo de homens atléticos de sunga, fazendo malabarismos com uma bola de futebol. À sua direita, um grupo de lindas mulheres, bebendo água de coco em trajes de banho ainda mais reveladores. À sua frente, um grupo de senhores mais velhos, com um físico bem menos atlético, bebendo cerveja e ostentando trajes de banho de todos os tipos. Os cariocas vêm em todas as cores, formas, tamanhos e modos de vida.
A renda dos cariocas são tão diferentes entre si quanto suas características físicas. Ao norte da praia, ficam os bairros de Ipanema e Leblon, bairros muito elegantes, que possuem alguns dos imóveis mais caros da América. A oeste, ficam o Vidigal e a Rocinha, duas das maiores favelas do mundo. Enquanto a maioria dos turistas conhece o Rio como a cidade maravilhosa, muitos dos seus habitantes se referem a ele com um nome bem menos atraente - cidade partida. A desigualdade é realmente surpreendente.

Para o visitante gringo, a diversidade gera uma enorme confusão. Quando me sento na praia de Ipanema, nunca sei exatamente o que fazer. A riqueza desta cidade é abundante e eu não sei se algum dia irei compreendê-la completamente. Talvez compreender não seja o objetivo do viajante. Por enquanto, estou suficientemente contente sabendo que tenho um dos mais bonitos e amplos retratos da humanidade.
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